Afternoon star: a poem that is a song

Another blog post, another Portuguese song.

This one is, to me at least, one of the most brilliant poems/songs ever written in Portuguese. It’s a song that evokes lust and longing, love and uncertainty. Like other songs by Ary dos Santos (on the photo above and already mentioned on the previous post) there’s a sometimes-not-so-subtle eroticism but it’s mostly the result of an ingenious choice of words.

You’ll notice this song has no particularly difficult vocabulary and yet it’s extremely musical in itself, if you try to read it as you would a poem (well, it is a poem). I believe it’s one of those things that you can only fully appreciate after you’ve lived and felt some real passion breathing life into you.

This version is not the original one, but I chose it because I think it imprints the right amounts of fragility, tenderness and passion this song deserves. I hope you’ll enjoy it as much as I do!

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia

Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia

Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia

E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria

Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia

Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor

Minha estrela da tarde

Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me aconteceram

Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram

Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram

E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram

Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam

Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram

E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor

Minha estrela da tarde

Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

Se tu és a alegria ou se és a tristeza

Meu amor, meu amor

Eu não tenho a certeza

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto

É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto

Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto

Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

—–

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